Pular para o conteúdo principal

Atlantique (Crítica)

olhardigital.com.br

“Atlantique”, nada mais, é que um retrato social inserido num mundo imaginado, pela diretora Mati Diop, retomando a ideia de cinema fantástico. Nesse gênero, a cineasta procura explorar, ao máximo, os recursos visuais e sonoros, de forma tão presente, que nada se assemelha ao que costumamos ver no cinema americano e europeu. E isso é o grande acerto de “Atlantique”. Porém, a obra se apropria muito de vícios de narrativa, em que o texto não combina em nada com a experiência visual e sensorial proposta.

O começo do filme, mais precisamente em sua primeira meia hora, é muito promissor. A história promete nos trazer caminhos, aparentemente desconhecidos, mas que com o passar do tempo, acabam se transformando numa trama confusa e difícil de aceitar. O início é forte, ao carregar um romance proibido, porém o que é mostrado paralelamente, não acrescenta nada, mesmo que a inserção fantástica dos espíritos dos mortos possa parecer interessante.

Tudo o que está relacionado à protagonista, funciona bem. Entretanto, quando o filme se afasta, ele acaba se enfraquecendo numa subtrama investigativa que não vai a lugar nenhum. Toda beleza técnica vai se perdendo, o contraste mostrado antes entre o moderno e o antigo, a revolução e o tradicional, a prisão e a liberdade, nada mais faz sentido.

Por outro lado, o que dá certo no início e que o filme explora ao máximo nesse universo é o Oceano Atlântico. Mesmo quando ele não aparece, a trilha dá o tom das ondas, gerando uma sensação de alívio, ou até mesmo tensão, dependendo da situação.

No final, fica o sentimento de decepção, por não terem explorado o imenso mar de possibilidades proporcionado.


Classificação: Regular (3 de 5 Estrelas)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Shaun, o Carneiro, o Filme: A Fazenda Contra-Ataca (Netflix) – Crítica

netflix.com Indicado ao Oscar 2021, na categoria “Melhor Animação”, “Shaun, o Carneiro, o Filme: A Fazenda Contra-Ataca , original Netflix, conta a história de uma alienígena que cai numa fazenda, e acaba fazendo amizade com Shaun, um carneiro. E agora, os dois precisam fugir de uma organização perigosa, que deseja capturar o extraterrestre. A direção é da dupla Richard Phelan e Will Becher, e a produção fica pela Aardman Animations, responsável pelos sucessos “A Fuga das Galinhas” (2000) e “Wallace & Gromit – A Batalha dos Vegetais” (2004). Mesmo não tendo a mesma força do primeiro filme, a nova aventura é, no mínimo, divertida. Os maiores acertos estão nas referências cinematográficas, que animação brinca em homenagear. Clássicos como “2001: Uma Odisseia no Espaço” (1968), “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977) são apenas algumas delas. E mais, esses easter eggs não são gratuitos, todos eles auxiliam no andamento da trama. Porém, nem só de alegrias vive o filme. O ...

Andor (Disney+) – 1ª Temporada (Crítica)

criticalhits.com.br A lacuna temporal imposta pelo diretor George Lucas, no Universo Star Wars, entre as trilogias Prequel e Original , sempre foi um material cheio para novas histórias. E vindo da decepção gerada pela Trilogia Sequel , nos cinemas, isso ganhou mais força na gestão Disney, da Lucasfilm. Apesar da ótima escolha temporal, ainda sim, “Andor” se supera. O que chama atenção, em “Andor”, é sua não-necessidade de referenciar o Universo já conhecido, em Star Wars. Como pedido, por muitos, não há nenhuma menção aos feitos heroicos da família Skywalker. Aqui, o foco está nas pessoas comuns. Nisso, o protagonista título é um espião rebelde, interpretado por Diego Luna, já conhecido de “ Rogue One: Uma História Star Wars” (2016). Lá, ele funcionava como mais um a lutar contra o autoritarismo, sem qualquer aparição mística, seja de um Jedi, seja da Força. Repetindo isso, “Andor” traz a luta permanente, mesmo que em alguns momentos, ela só apareça em pequenos gestos. ...

Obi-Wan Kenobi (Disney+) - 1ª Temporada (Crítica)

disneyplusbrasil.com.br Apesar do enorme carinho dos fãs pela figura de Obi-Wan Kenobi, era claro o sentimento de que a minissérie, prometida pela LucasFilm, não ia fazer jus a figura de um dos personagens mais queridos do Universo Star Wars. Começando pelo descrédito da própria LucasFilm, gerenciada pela Disney, que ainda tenta encontrar um caminho sólido para a franquia. Outro fator importante, que já gerava desconfiança aos fãs, era o período em que se passaria a minissérie, já que, desde o início, erá óbvio que não haveria tanto apelo emocional. Sabemos, de antemão, a origem e o desfecho da maioria de seus personagens. Embora, por incrível que pareça, esses foram meros detalhes, na infinidade de problemas que acompanharam “Obi-Wan Kenobi” . A produção sofre demais com a falta de coragem, de seus idealizadores. Há uma clara indecisão em qual caminho seguir. A primeira opção, mais óbvia, era explorar a nostalgia, apelando para os personagens já estabelecidos e querid...