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Mulan (2020) – (Disney+) - Crítica

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A Disney, nos últimos anos, tem apostado alto no “gênero” live-action, tentando reviver suas grandes animações. Esse tipo de remake tem feito muito sucesso, com uma bilheteria alta, embora tenha dividido a percepção crítica das obras.

 

E a mais recente aposta do estúdio está em “Mulan”, que teve uma estreia diferente, em virtude da pandemia da COVID-19, tendo seu lançamento dividido entre o cinema e o serviço de streaming, Disney Plus.

 

Infelizmente, isso pode pegar no julgamento da obra, já que se trata do remake, da Disney, de maior orçamento, passando os US$ 200 milhões, e muito da sua técnica não possa ser tão sentida, em casa.

 

Indo para o filme em si, “Mulan” é um épico, que busca cativar o espectador pela emoção, apostando numa paleta de cores forte e uma bonita fotografia. Porém, isso pode ser um artifício barato para esconder os problemas do roteiro.

 

Se na animação original, de 1998, Mulan se mostrava uma mulher vanguardista, defendendo sua família e, principalmente, confrontando o machismo exacerbado, o filme de 2020 resolve apostar na defesa da família e da tradição chinesa. Isso em si, está longe de ser um problema, porém sua apresentação, no longa, é muito confusa. Como a personagem pode ser tradicional, se ela quebra inúmeras regras?

 

Outra adversidade que o longa enfrenta, está na sua montagem. O uso excessivo de closes, no rosto dos personagens, faz o espectador perder o senso geográfico. Um exemplo de como isso prejudica, está na localização. Há momentos em que os personagens se deslocam, de um cenário para o outro, de forma mágica (no mal sentido).

 

Mas, o maior erro, sem dúvida, está na construção da protagonista. Mulan, ao contrário da animação, não precisa, em momento algum, se provar. Ela é perfeita: sobe telhados, escala paredes, atira bem. Quase uma "Jedi".

 

Embora tenha muitos deslizes, “Mulan” também tem grandes acertos. As cenas de lutas são incríveis, e bem coreografadas. O jeito de filmá-las, inclusive, lembra grandes filmes de luta oriental, como “O Tigre e o Dragão” (2000) e “O Mestre das Armas” (2006). Além disso, toda a sequência de treinamento da protagonista é linda, onde toda a parte focada no Exército seja a maior alegria gerada pelo longa.

 

Resumindo, “Mulan” resolve apostar numa abordagem diferente da animação original, mirando mais na fidelidade da lenda chinesa. Embora tenha problemas de narrativa, a bela fotografia e a nostalgia podem salvar o filme, sendo uma opção aceitável, de entretenimento, para todas as idades.

 

 

Nota: 🌟🌟🌟 (Ok)

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