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Cercados (GloboPlay) – Crítica

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“Cercados”, novo documentário original da GloboPlay, traz bastante informação. O projeto comandado por Caio Cavechini, mergulha sobre o caos que o Brasil sofreu, desde o início da Pandemia da COVID-19, até o fim deste ano.


Ainda que se mostre um projeto interessante, o ritmo é desequilibrado e prejudica na intenção promovida. Com muitos pontos de vista, a narrativa aposta no vai e vem, e perde um pouco do seu andamento. Não há um foco claro, a história parece querer abraçar tudo relacionado a pandemia, como a Política, a Doença em si, o trabalho dos médicos, dos jornalistas, as Fake News, e assim não acha um meio claro de abordagem.


Até que isso tudo poderia ser colocado, se Cavechini conseguisse realizar uma montagem mais satisfatória. As passagens não possuem fluidez. Fica a sensação de que se a Globo tivesse apostado numa série, com cada episódio focando num aspecto da Pandemia, seria uma decisão melhor.


Só para se ter uma ideia, “Cercados” começa Nelson Teich, ex-Ministro da Saúde, anunciando sua demissão, em coletiva. Rapidamente, corta para imagens do trabalho de cemitérios e hospitais, “encerrando o seu início” nas discussões de pauta das redações da Globo.


De positivo, a narrativa em volta do Governo Federal e sua condução da Pandemia é boa. O “Brasil de Bolsonaro” é mostrado como algo imprevisível e meio desconectado da realidade, o que confronta a imprensa.


Voltando ao roteiro em si, Cavechini e Sacardovelli até que tentam focar no tema, porém há uma parte onde o filme parte em busca de tentar explicar a origem do negacionismo. Uma boa ideia, entretanto funcionaria melhor num outro documentário, à parte.


Temas como o “fanatismo da turma do cercadinho”, “Fake News”, Foro de São Paulo, até a Marcha Neo-Nazista promovida por Sara Winter, passando pela Cloroquina, gerariam ótimos episódios, se o documentário escolhesse o formato série.


Voltando no que há de bom, sendo claro na escolha do seu lado, a narrativa acerta quando aposta na personalização das vítimas. Isso colabora para que elas não virem apenas números, mas criem uma sensação em empatia/alarme a quem está assistindo.


Assim, “Cercados”, mesmo com uma narrativa desencontrada, consegue tocar em momentos chave, com um sentimento verdadeiro, usando como base o fato jornalístico. Dando além do assunto, o contexto total do trabalho do repórter, que correu atrás daquela história.


Pode não ser perfeito, mas “Cercados” possui uma assinatura própria, mesmo que essa assinatura seja feita por uma “Caneta Bic”.



Nota: 🌟🌟🌟 (Ok)

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