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A Jornada de Vivo (Netflix) – Crítica

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“A Jornada de Vivo” trata-se de uma animação, dedicada mais ao público infantil, com excelente trabalho gráfico, focando no intercambio Cuba-Estados Unidos.


Se mostrando, desde o início como um musical, Lin-Manuel Miranda, já conhecido pelos fãs do gênero, traz suas canções latinas, em cima de cenários ensolarados, no maior clima das Américas (fora os EUA), possível. O problema está em focar muito na ambientação, e deixar de lado a história, principalmente, se tratando de um filme de 103 minutos.


Vindo do teatro musical, Lin-Manuel Miranda já está acostumado a misturar o rap com inúmeros ritmos dançantes, embalados nos inúmeros conflitos de personagens, realizando grandes monólogos. Essa fórmula, inclusive, foi a grande responsável pelo sucesso de “Hamilton” (2015).


Porém, na animação da vez, ele falha. Aqui, em vez de partir para a simplicidade, acaba se entregando canções longas e explicativas, ao máximo. Isso faz com que a narrativa crie conveniências exageradas, com resoluções infantis (no sentido ruim da palavra). O resultado só não é mais trágico, porque o primeiro ato é impecável, onde se apresenta, de maneira rápida e singela, uma premissa tocante, que debate temas como amor, tempo e morte.


Vivo (Lin-Manuel Miranda), nosso protagonista, é um jupará que dança, em parceria com o músico de rua, Andrés Hernández (Juan Marcos González). Vivendo, de forma alegre, em Cuba, o seu mundo desmorona, quando uma carta enviada por Marta Sandoval (Gloria Estefan), uma estrela da música do país e grande amor de Andrés, chega e o convida para uma apresentação, em dueto, em Miami.


Porém, o que já era desagradável para Vivo piora, quando Andrés morre, antes da viagem, deixando a missão de levar sua música, para os Estados Unidos, nas mãos do nosso protagonista.


Para ajudá-lo, ele contará com Gabi (Ynairaly Simon), sobrinha-neta de Andrés, que mora com sua mãe, Rosa (Zoë Saldana), na Flórida. Tudo isso, ressaltado no primeiro ato, ainda, confunde mais o espectador, já que a direção, de Kirk DeMicco (“Os Croods”), e o roteiro, da dupla Peter Barsocchini (“High School Musical”) e Quiara Alegría Hudes (“Em Um Bairro em Nova York”), não possui um foco.


O segundo ato, por exemplo, é repleto de situações desnecessárias, que além de não agregarem em nada, tiram tempo da relação entre a dupla protagonista. Sobra para o talento musical de Miranda compensar tudo, dando um respiro para a jornada.


O design florido e vivo dos personagens e do cenário também alivia o roteiro inchado, mostrando-se a principal força de “A Jornada de Vivo”. Porém, tudo isso não compensa a narrativa medíocre.



Nota: ⭐⭐⭐ (Ok)

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