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Duna (2021) – Crítica

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Denis Villeneuve, apesar de seus detratores, é um diretor de carreira impecável, pelo menos para os críticos. Isso pode ser bem exemplificado pela bela filmografia, que conta com “Os Suspeitos” (2013), “Sicario: Terra de Ninguém” (2015), “A Chegada” (2016) e “Blade Runner 2049” (2017). Mas nada disso pode ser comparado, pelo menos em termos de aposta, como a sua adaptação de “Duna”, da obra original de Frank Herbert.


O filme da vez traz as telonas a grande história de Herbert, que pode se dizer que moldou a Ficção Científica, a partir de 1965, data de seu lançamento, e deu origem a vários “filhos”, entre eles “Star Wars”, por exemplo.


Porém seu ritmo cadenciado, no livro, era a grande expectativa do longa da vez, em aliar um cineasta inovador a uma obra que precisava de rapidez, pelo menos na sua adaptação.


Mesmo não funcionando completamente, ainda assim, o longa tem suas qualidades. O primeiro ato apresenta bem seu plot, onde conhecemos Duke Leto Atreides (Oscar Isaac), o novo governante do planeta Arrakis, também chamado de Duna, lugar em que todo o Universo visita, em busca de uma especiaria rara, chamada Melange.


Dentro desse contexto, vemos a influencia tanto positiva, quanto negativa, da família Atreides, na região. Negativa pela inveja gerada a outras famílias, em meio a um conturbado jogo político.


Encabeçando essa lista de “inimigos”, temos o Barão Vladimir Harkonnen (Stellan Skarsgard), primo de Leto Atreides, que está organizando um golpe de estado, para tomar o trono. Entretanto, todo esse seu background é mais conhecido para quem é conhecedor da obra, já que o filme não o explora muito.


Mas voltando aos acertos, felizmente, a família Atreides é bem colocada. A começar pelo filme sempre situar o filho de Leto, Paul Atreides (Timothée Chalamet), como o centro de tudo, em volta de uma profecia, que o garante como o salvador. Para ajudá-lo em cena, temos sua mãe, Lady Jessica (Rebecca Ferguson), que atrela o misticismo a trama, em meio ao peso de sua responsabilidade por ter dado luz ao “Messias”.


Desde sua divulgação, o diretor Denis Villeneuve sempre reforçou que essa seria a primeira etapa de uma grande jornada, focando apenas no capítulo inicial da obra original. Isso faz com que o filme se resuma apenas a apresentação do cenário e dos personagens, mesmo que foque bastante no seu verdadeiro protagonista: Timothée Chalamet.


O ator, em ascensão na carreira, implementa camadas interessantes no seu personagem. Seu talento, aqui, é visto, muito pelo seu mergulho pessoal em Paul Atreides, revelando dores particulares e o peso nos seus ombros. Chalamet se mostra como a escolha perfeita para Paul.


Além dele, o elenco também conta com outros talentos. Mesmo com pouco tempo de cena, cada um mostra força na atuação. Destaque para Oscar Isaac e Rebecca Ferguson que brilham, como os pais/mentores de Paul.


Nos aspectos técnicos, nada a se reclamar. A fotografia de Greig Fraser é impecável e o design de produção de Patrice Vermette é 100% fiel a obra original. A trilha sonora, não precisa nem comentar, pois Hans Zimmer, mais uma vez, brilha.


Entretanto, volta o grande problema do filme, em não aliar essa técnica apurada com um desenvolvimento de arco condizente. O roteiro, que talvez seja o principal, também escrito por Villeneuve, até cria a atmosfera épica pedida, porém o ritmo é muito cadenciado, e não imerge, completamente, o espectador. A sensação de não está indo a lugar algum prejudica a experiência.


No geral, “Duna” é um filme inesquecível, e Villeneuve mantém o bom nível de sua carreira, porém seu ritmo frusta, o que não era o ideal para uma obra tão rica.



Nota: ⭐⭐⭐ (Ok)

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