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O Fio Invisível (Netflix) – Crítica

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O cinema sempre se caracterizou pela exploração dos estereótipos exagerados, por muitas vezes falsos, dados aos homens e mulheres. Seja pelo lado masculino excessivo, focando na sua falta de compromisso, como em “Se Beber, Não Case” (2009), seja no padrão feminino de colocar o casamento acima de tudo, como em “Orgulho e preconceito” (2005).


Embora lutemos para diversificar esses estilos, há um papel social, exclusivamente, posto a mulher: ser mãe. Não que sejam obrigadas, porém só elas podem relatar o sentimento provocado por tal situação, dado o esforço. Sobre a exclusividade da função da maternidade gira “O Fio Invisível”, novo filme da diretora Claudia Llosa.


Adaptando a história do livro “Fever Dream” (2014), Samanta Schweblin, também autora da obra original, assina o roteiro, que tem como protagonista Amanda (María Valverde), uma mulher que começa a história estranhando o fato de estar numa mata, sendo puxada por um garoto. Com o tempo, descobrimos que ele é David (Emilio Vodanovich), que narra a história, fazendo perguntas para ela.


Outro detalhe a se colocar é que David é filho de Carola (Dolores Fonzi), uma mulher que também foi amiga de Amanda, no passado, e participará ativamente da trama. Tal amizade é mostrada como uma relação mútua de duas mães, que se veem conectadas pelos seus filhos.


Tudo isso é jogado ao espectador, ao meio de enigmas, que cadenciam toda a trama. Apesar de ser vendido como um terror, o longa se caracteriza mais como um drama misterioso, onde sua principal valência está na curiosidade gerada ao público, que tenta decifrar qual a relação entre o trio protagonista.


Nisso, o filme é exposto de maneira lenta, e que pode afastar muitos espectadores, que não tenham tanta paciência de se envolver com seus personagens. Nem mesmo a estrutura de três atos é tão perceptível, pois o ritmo é tão vagaroso, que o filme não se apressa.


Essa lentidão só não se torna um problema maior, pois María Valverde e Dolores Fonzi trazem, em suas protagonistas, interesse junto a um emocional convincente, com muita intensidade.


Porém, o foco poderia ser exclusivo nas duas mulheres. O que não ocorre o tempo todo, já que o filme simula querer entrar em discussões envolvendo o ecossistema e a relação do humano com a natureza, mas sem a mesma profundidade do tema principal. Daí, fica a pergunta: Por que mostrar algo, que você não terá tempo de desenvolver?


A força feminina é um grande destaque positivo de “O Fio Invisível”, porém se o ritmo fosse um pouco mais rápido e não se abrisse tantas camadas, que não seriam fechadas, o filme poderia ser mais objetivo e eficiente, em sua proposta inicial.



Nota: ⭐⭐⭐ (Ok)

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