Pular para o conteúdo principal

Encanto (Crítica)

disneyplusbrasil.com.br


Não é novidade para Disney reverenciar o papel feminino, principalmente, em relação ao controle emocional, vindo pela enorme pressão, que cercam suas personagens. Aqui, em “Encanto”, acompanhamos o arco de Mirabel, sendo construído pelo trio Jared Bush, Byron Howard e Charise Castro-Smith, que dirigem o longa.


A trama se inicia apresentando a história da família Madrigal, cujo seus membros precisam participar de uma cerimônia de amadurecimento, onde são premiados com habilidades especiais. Mirabel (Stephanie Beatriz) é a única que não foi agraciada com algum poder, o que causa um certo distanciamento dela, com o resto do seu vilarejo. O objetivo desse filme é ressaltar como a pressão exagerada, por perfeição, pode causar efeitos traumáticos, a quem sofre.


O texto, aqui, é rico, embalado num cenário latino, que levanta a ideia de que qualquer minoria pode alcançar sucesso, não precisando renegar sua comunidade. Mas também trazendo os dilemas, que esses integrantes sofrem, além do preconceito já conhecido.


Os diretores Bush e Castro-Smith também ficam com o roteiro, onde “Encanto” converge todas as imperfeições humanas, dando maior ênfase na jornada. Pois, fica claro que sem o conflito, não há vitória.


Outro trunfo, além do texto, fica para o visual. “Encanto” se passa, exclusivamente, dentro do vilarejo dos Madrigal, mas sem perder o fator épico da aventura, na qual, nós, espectadores, somos convidados a participar também. Ainda em termos técnicos, a animação é apresentada de forma colorida e dinâmica, expressada por músicas leves e criativas, que se mesclam com o ambiente.


“Encanto” não é uma animação que revoluciona, e não deve ficar entre as mais memoráveis do estúdio, porém seu caráter convidativo e sua apresentação de cenário são grandes trunfos, que prendem o espectador, do início ao fim.



Nota: ⭐⭐⭐⭐ (Ótimo)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Artemis Fowl: O Mundo Secreto (Crítica)

canaltech.com.br A Disney quer, por que quer, trazer uma franquia nova, focada no misticismo. Depois de “Uma Dobra no Tempo” (2018), a aposta está em  “Artemis Fowl: O Mundo Secreto” . Mas o problema persiste. Com a assinatura de Kenneth Branagh, a obra tenta adaptar os dois primeiros volumes da famosa série literária, escrita por Eoin Colfer. O filme parte da história de Artemis Fowl (Ferdia Shaw), um garoto de 12 anos, muito inteligente (pelo menos, é o que filme tenta nos contar), que acaba descobrindo um segredo da sua família, e precisa embarcar numa jornada mágica. A maior falha, sem dúvida, está na premissa. O garoto, protagonista, não demonstra, em momento algum, sua habilidade na arte criminal. Ao invés disso, o longa prefere apostar na imagem, deixando o texto de lado. E antes, que alguém venha defender esse tipo de proposta, temos que lembrar que o cinema é formado pelo estabelecimento de uma linguagem orgânica, entre imagem e qualquer outra coisa, for...

Shaun, o Carneiro, o Filme: A Fazenda Contra-Ataca (Netflix) – Crítica

netflix.com Indicado ao Oscar 2021, na categoria “Melhor Animação”, “Shaun, o Carneiro, o Filme: A Fazenda Contra-Ataca , original Netflix, conta a história de uma alienígena que cai numa fazenda, e acaba fazendo amizade com Shaun, um carneiro. E agora, os dois precisam fugir de uma organização perigosa, que deseja capturar o extraterrestre. A direção é da dupla Richard Phelan e Will Becher, e a produção fica pela Aardman Animations, responsável pelos sucessos “A Fuga das Galinhas” (2000) e “Wallace & Gromit – A Batalha dos Vegetais” (2004). Mesmo não tendo a mesma força do primeiro filme, a nova aventura é, no mínimo, divertida. Os maiores acertos estão nas referências cinematográficas, que animação brinca em homenagear. Clássicos como “2001: Uma Odisseia no Espaço” (1968), “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977) são apenas algumas delas. E mais, esses easter eggs não são gratuitos, todos eles auxiliam no andamento da trama. Porém, nem só de alegrias vive o filme. O ...

The Mandalorian (Disney+) – 2ª temporada (Crítica)

tekimobile.com Sem dúvidas, a maior surpresa audiovisual de 2019 foi “The Mandalorian” , série do Universo Star Wars, no Disney+. Apostando no faroeste, a história é protagonizada pela dupla Din Djarin (Pedro Pascal) e Grogu/Baby Yoda/A Criança, que sempre se mostraram personagens, extremamente, carismáticos. A direção não poderia ter melhor responsável do que Jon Favreau, que com auxílio de sua equipe, conseguiu explorar bem o desconhecido dessa galáxia tão distante, algo que a Trilogia “Sequel” pecou em não abordar. Bem como a primeira temporada nos vende uma série de faroeste , estilo “Clint Eastwood”, a segunda resolveu evoluir, abrindo o leque de possibilidades. Tivemos episódios de Terror, Samurai, Suspense, Assalto, cada um com uma identidade própria, mas que conseguiu ter coesão com a história principal. Ou seja, o melhor dos mundos. E para aqueles que reclamam do uso de fan service , “The Mandalorian” prova que usando-o, de maneira correta, sem se perder, é possível agradar a...