Pular para o conteúdo principal

A Pior Pessoa do Mundo (Crítica)

nytimes.com

Para quem é da geração millenials, que abraça pessoas entre 25 e 40 anos, certamente, se identificará muito com Julie (Renate Reinsve), protagonista do novo filme de Joachim Trier, “A Pior Pessoa do Mundo”. O diretor, aqui, procura focar em quatro anos, na vida de uma jovem mulher, que passa por inúmeros momentos, de dor a alegria, seja nas questões familiares, amorosas e até profissionais. Tudo isso, com o intuito de achar a melhor composição de si mesma.


A grande força do longa norueguês está na sua abordagem dinâmica e no seu ritmo ágil, apresentando pelo diretor.


Imprimindo uma narrativa divertida, o longa nos coloca, rapidamente, dentro da história. Sua ideia de dividir a trama em um prefácio, doze capítulos e um prólogo, permite que todos os pontos chaves sejam tocados, colocando o julgamento de valor para o espectador. O enredo é solto, e as ações da protagonista não são, diretamente, condenadas, pois fica para nós, a opinião sobre tais escolhas.


Contemplando aos poucos, de forma dinâmica, o narrador relata a transformação de Julie, desde a sua fase como uma adolescente estudiosa, passando por sua formação em Psicologia, Fotografia, até seu trabalho como atendente.


Ainda assim, a trama possui um foco especial para os relacionamentos amorosos. Vemos todo o declínio do namoro atual, com Askel (Anders Danielsen Lie), até o abrigo que ela encontrará com um outro homem, Eivind (Herbert Nordrum), após apaixonar-se à primeira vista, por ele.


A partir dessa nova aventura, que ronda pela segunda metade da história, a narrativa desacelera e colocar luz nos problemas, que fizeram o primeiro relacionamento não prosperar. Ao contrário do primeiro marido, ela, perto dos 30 anos, precisava se encontrar. Essa dúvida é, brilhantemente, colocada durante uma sequência, em que Julie está numa viagem, com outros casais, formados pelos amigos de Askel.


Um capítulo, em especial, é o que mais chama atenção. No qual, se cria uma espécie de mistério sobre quem traiu quem, e quais os motivos para a relação ter se acabado.


Ainda assim, é importante reforçar que o mais louvável, na caminhada de Julie, não é o fim, mas sim a jornada, como um todo. Ela, apesar de ter chegado aos 30 anos, ainda se vê no direto de errar e poder buscar novos desafios.


Ao fim, “A Pior Pessoa do Mundo” se mostra uma linda comédia romântica, focada na evolução de uma mulher moderna, que se fecha perfeitamente, ao som de “Águas de Março”, de Antônio Carlos Jobim, sendo interpretada por Art Garfunkel.



Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ (Excelente)

Comentários