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Belfast (Crítica)

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Kenneth Branagh, sem dúvida, é uma figura que atravessou gerações, se tratando de cinema. Muitos conhecem ele pelo seu papel, como professor Gilderoy Lockhart, na franquia “Harry Potter”. Outros, são mais adeptos ao seu lado diretor, onde reverenciou seu maior ídolo, William Shakespeare, em diversas adaptações para a telona.


Depois de dirigir alguns clássicos, como “Hamlet” (1996) e “Cinderela” (2015), chegou a hora de Branagh se arriscar num projeto mais ambicioso, envolvendo um pouco de sua biografia. Assim, nasce “Belfast”.


Geralmente, quando se procura contar um drama de época, normalmente, voltamos ou para Era Vitoriana ou para a Guerra Fria. Branagh buscou uma alternativa diferente, apostando no anacronismo, de contar sua infância (apesar do protagonista, aqui, não ser, claramente, o diretor), em meio a Segunda Guerra.


Essa visão infantil para a Guerra não é uma novidade, visto exemplos, como o recente “Jojo Rabbit” (2019), de Taika Waititi. Buddy, nosso protagonista aqui, é vivido por Jude Hill, um menino de nove anos, que vive numa cidade pequena da Irlanda do Norte, que sofre, em meio ao conturbado conflito político mundial.


Já comentado, Branagh se inspirou na sua infância, durante a década de 60, para discutir sobre alguns embates ideológicos que causaram inúmeros conflitos, na região onde morou, quando pequeno. Mesmo assim, o filme, positivamente, não obriga o espectador a saber tudo sobre a história real, o foco está na jornada do garoto protagonista e sua recusa em se mudar dali, já que, apesar de seus pais alertarem sobre o perigo da região, ele adora a vizinhança.


Buddy é uma criança comum, que passa pela velha fase de questionar seus pais, neste caso sendo interpretados por Caitirona Balfe e Jamie Dornan. O que motiva mais a família de Buddy se mudar é o fato dela ser protestante, cercada pela vizinhança católica.


Apesar do tema principal ser pesado, tudo é visto pela simpatia infantil do protagonista. Ainda que a trama se torne monótona, em alguns momentos, a inocência do garoto, ao se impactar pelas mudanças do mundo, conquista o espectador.


No lado técnico, destaca-se a direção simples, que embora pareça, a princípio, pobre, realça uma importância maior do trabalho do elenco. Palmas também para a trilha de Van Morrinson, que embala a jornada mágica do nosso querido protagonista.


“Belfast”, no fim, é definido como uma simples celebração da família, mesmo que o cenário externo não esteja nos melhores dias.



Nota: ⭐⭐⭐⭐ (Ótimo)

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