Pular para o conteúdo principal

The Batman (Crítica)

variety.com


Nos últimos anos, se criou a cultura de filmes blockbusters com subtítulo. Essa recorrência fez com que “The Batman” seja um “estranho no ninho”, dentro do mercado. Porém, ao acabarmos de assistir o novo longa de Matt Reeves, entendemos, perfeitamente, a escolha.


O Homem Morcego sempre foi elevado, em todas as mídias, pelo grande cartel de vilões e coadjuvantes, que catapultaram, ainda mais, a criação de Bob Kane e Bill Finger, totalmente montada pelo arquétipo do herói, proposto por Joseph Campbell.


Porém, o Batman sempre teve dificuldade em chamar os holofotes, para si, principalmente, nos cinemas, por essa singularidade de seus vilões. Reeves reverte isso, ao focar, quase que exclusivo, no seu protagonista problemático e misterioso, envolta a ótimos coadjuvantes, na busca de justiça e vingança.


Essa particularidade do Batman, interpretado por Robert Pattinson, vem também pelo equilíbrio entre o visto nos quadrinhos, com o tom thriller, que é imposto. Aqui, temos a soma ideal entre a Gotham personificada, do Tim Burton, com o impacto realista trago por Christopher Nolan, nas adaptações do herói, vistas até aqui.


O Batman da vez já está na ativa, porém se sente fracassado, pois a criminalidade, em Gotham, só aumenta. Tudo piora com a chegada do Charada (Paul Dano), um assassino em série, focado em eliminar políticos.


É importante ressaltar que a “figura Bruce Wayne” não existe ainda. O homem por trás da máscara, só é mostrado pela sua personalidade antissocial, trancada na Mansão Wayne, tentando se manter longe do sol. Sua redenção só é achada por suas pessoas ao redor, onde ele encontra a luz, muito pelas relações construídas com Jim Gordon (Jeffrey Wright) e Selina Kyle (Zoë Kravitz).


Na parte técnica, destaque para o visual Noir, composto pela inserção de sombras e fumaças, que caracterizam uma Gotham fantástica, que se mostra tão impressionante, quanto a criada por Tim Burton, em 1989. Adiciona-se a isso a trilha alardeada, algumas vezes exageradamente, de Michael Giacchino e a fotografia turva, no bom sentido, de Greig Fraser.


E ainda que a trama se arraste e seja autoexplicativa, em alguns momentos, “The Batman” se mostra um grande começo para Matt Reeves e sua nova versão do Homem Morcego, onde o ele mesmo é o vilão de sua história.



Nota: ⭐⭐⭐⭐ (Ótimo)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Shaun, o Carneiro, o Filme: A Fazenda Contra-Ataca (Netflix) – Crítica

netflix.com Indicado ao Oscar 2021, na categoria “Melhor Animação”, “Shaun, o Carneiro, o Filme: A Fazenda Contra-Ataca , original Netflix, conta a história de uma alienígena que cai numa fazenda, e acaba fazendo amizade com Shaun, um carneiro. E agora, os dois precisam fugir de uma organização perigosa, que deseja capturar o extraterrestre. A direção é da dupla Richard Phelan e Will Becher, e a produção fica pela Aardman Animations, responsável pelos sucessos “A Fuga das Galinhas” (2000) e “Wallace & Gromit – A Batalha dos Vegetais” (2004). Mesmo não tendo a mesma força do primeiro filme, a nova aventura é, no mínimo, divertida. Os maiores acertos estão nas referências cinematográficas, que animação brinca em homenagear. Clássicos como “2001: Uma Odisseia no Espaço” (1968), “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977) são apenas algumas delas. E mais, esses easter eggs não são gratuitos, todos eles auxiliam no andamento da trama. Porém, nem só de alegrias vive o filme. O ...

The Mandalorian (Disney+) – 2ª temporada (Crítica)

tekimobile.com Sem dúvidas, a maior surpresa audiovisual de 2019 foi “The Mandalorian” , série do Universo Star Wars, no Disney+. Apostando no faroeste, a história é protagonizada pela dupla Din Djarin (Pedro Pascal) e Grogu/Baby Yoda/A Criança, que sempre se mostraram personagens, extremamente, carismáticos. A direção não poderia ter melhor responsável do que Jon Favreau, que com auxílio de sua equipe, conseguiu explorar bem o desconhecido dessa galáxia tão distante, algo que a Trilogia “Sequel” pecou em não abordar. Bem como a primeira temporada nos vende uma série de faroeste , estilo “Clint Eastwood”, a segunda resolveu evoluir, abrindo o leque de possibilidades. Tivemos episódios de Terror, Samurai, Suspense, Assalto, cada um com uma identidade própria, mas que conseguiu ter coesão com a história principal. Ou seja, o melhor dos mundos. E para aqueles que reclamam do uso de fan service , “The Mandalorian” prova que usando-o, de maneira correta, sem se perder, é possível agradar a...

Red: Crescer é uma Fera (Disney+) - Crítica

b9.com.br É inegável que a Pixar tem como maior trunfo a capacidade de pegar temas complexos e transmiti-los com simplicidade, em seus filmes. Seja a questão da morte, colocada em “Viva – A Vida é uma Festa” (2017), seja o propósito da humanidade, como visto em “Soul” (2020). Nesse embalo, temos “Red: Crescer é uma Fera” , animação encabeçada pela diretora Domee Shi, e que encara a missão de abordar um tema tão complexo, quanto a puberdade. Essa comédia, focada numa jornada de amadurecimento, nos embarca na história de Mei (Rosalie Chiang), uma garota adolescente, canadense, que ama sua família. Ela passa o dia se dividindo entre a escola e a ajuda aos seus pais, que trabalham cuidando de um templo. Quando não está nem com a família, nem estudando, ela sempre se encontra com as amigas, para escutar a sua banda favorita, 4town, uma boy-band de sucesso. Nisso, se abre uma nova fase da vida para Mei, onde ela também começa a se apaixonar e se libertar, mesmo com as cobranças ...