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Apollo 10 e Meio: Aventura na Era Espacial (Netflix) – Crítica

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Nos últimos anos, vem crescendo a onda de filmes semi-autobiográficos, onde cineastas focam num período específico de suas próprias vidas. Grandes exemplos, onde essa dinâmica foi explorada, temos “Boyhood: Da Infância a Juventude” (2014), “Roma” (2018), “A Mão de Deus” (2021), “Belfast” (2021). Independente do tipo de narrativa escolhida, todas elas carregam o olhar autoral, como um norte para sua abordagem. Por isso, para muitos espectadores, fica complicado separar uma aventura divertida com o narcisismo do criador da obra.


Talvez, o maior nome desse “gênero”, o diretor Richard Linklater sempre procurou focar nesse tipo de perspectiva, utilizando-se premissas básicas, arquétipos simples e referências pop, que cercaram sua vida, mas também, certamente, influenciou na caminhada de várias pessoas.


Aqui, em “Apollo 10 e Meio: Aventura na Era Espacial”, Linklater se coloca, numa versão semi-autobiográfica, na pele de Stan, um aluno da escola primária, que é recrutado por dois agentes do governo, para uma missão secreta da NASA, na qual o jovem será enviado à lua, antes mesmo da Apollo 11.


Assim, Linklater aproveita o absurdo do plot, para criar uma fábula extraordinária, que também retrata o estilo de vida do americano médio, em pleno Anos 60. Temos aqui, a exaltação da vida do subúrbio, colocada em cores quentes e situações agradáveis.


Ainda sim, há espaço para citações a política americana, ao momento vivido, em plena Corrida Espacial, e tudo o que cercava aquela época. Isso é contado, numa montagem vai e vem, que busca moldar o caráter do nosso protagonista.


Porém, está no seu aspecto de narrativa pessoal, o grande problema do filme. Toda a história é contada pelo protagonista, passando pelos eventos de forma natural, mas que em nenhum momento, envolve o espectador. Nada é orgânico, e não há uma conexão emocional com a caminhada de Stan. Algo que, por exemplo, é atingido com êxito, pelo diretor, em “Boyhood”.


Sobra-se apenas a bonita estética, escolhida para a animação, mas que se soma, a uma história rasa. Assim, “Apollo 10 e Meio: Aventura na Era Espacial” é apenas um retrato honesto, mas, que no fundo, é, completamente, esquecível.



Nota: ⭐⭐⭐ (Ok)

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