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Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (Crítica)

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O diretor Sam Raimi volta ao universo dos filmes baseados em super-heróis, na sequência de “Doutor Estranho” (2016), onde mesmo que ainda tendo que cumprir um papel de composição, para uma engrenagem que já está rodando, no caso o MCU (Universo Cinematográfico da Marvel), ele tem a oportunidade de trazer sua visão própria, muito referenciada pelo horror e seu humor particular.


Diferentemente de outras produções do estúdio, temos, aqui, uma aventura de suspense/terror, raramente vista no Universo idealizado por Kevin Finge e sua equipe. Porém, é de se destacar que apesar de colher louros, a liberdade dada a Raimi também traz problemas, já vistos em outras de suas produções. Isso pode ser exemplificado pelo belo arco montado em cima dos protagonistas, no caso aqui, Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) e Feiticeira Escalarte (Elizabeth Olsen), no mesmo ambiente da obrigação de inserir conceitos “geeks”, como a jornada do Multiverso, que, mesmo que funcione na maior parte do tempo, tira foco de algumas valências, em outros momentos.


O roteiro, aqui, é de autoria de Michael Waldron (“Loki”), que parte da busca de Stephen Strange (Cumberbatch) em proteger América Chavez (Xochitl Gomez), uma jovem de outro Universo, que tem o poder de viajar entre realidades. Para isso, Strange vai pedir ajuda de Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen), a Feiticeira Escalarte. Porém, no meio disso, ele acaba percebendo que Wanda tem um interesse escuso na garota, e precisará partir para uma jornada pessoal, que envolverá questões de confiança.


É interessante, aqui, que Raimi se espelha muito ao seu protagonista. Assim como aconteceu em “Homem-Aranha” (2002), Strange é o retrato do diretor em tela. Nisso, partimos para uma jornada íntima, mas também divertida, aproveitando todas as possibilidades que o heroi proporciona. Raimi mescla bem vários gêneros, inclusive se autorreferenciando, como nas homenagens feitas a “A Morte do Demônio” (1981) e “Darkman – Vingança sem Rosto” (1990).


Além do protagonista, elogios também para o trabalho dado a Wanda. Seu arco, permite que Olsen transforme, de vez, a Feiticeira Escalarte na grande vilã prometida. Esse equilíbrio entre protagonista e antagonista é maravilhoso, muito pela montagem dinâmica, e a trilha sonora do grande Danny Elfman.


Apesar de funcionar na maior parte, “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” também tem suas falhas. O roteiro de Waldron não sabe utilizar Chavez. Xochitl Gomez, intérprete da personagem, tem poucas falas e parece não fazer parte da loucura proposta. Dá a sensação, em alguns momentos, que ela foi mais uma imposição do estúdio, para o futuro do Universo, do que uma escolha do diretor para seu filme. Por outro lado, Wong (Benedict Wong), parceiro importante de Strange, em filmes anteriores, aqui, é jogado pra escanteio, o que pode ser chato para os fãs do Universo, mas necessário para a trama andar.


No geral, “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” é um filme com a assinatura de Sam Raimi. Um diretor ousado, que tem suas referências próprias, e que se diverte ao apresentar sua ideia. E essa fuga do Fan Service barato, em busca de algo mais original, focando nas jornadas de seu protagonista e antagonista, foi a melhor escolha que o Marvel Studios pode fazer. Que continue assim.






Nota: ⭐⭐⭐⭐ (Ótimo)

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