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O Homem do Norte (Crítica)

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Certamente, você, caro leitor, já terminou de ver um filme e sentiu-se vitorioso, ao seu fim. Uma sensação, positiva, de glória. Sem dúvida, “O Homem do Norte” é um título que provoca isso.


Na direção, temos Robert Eggers (“O Farol”), em seu primeiro longa com orçamento mais robusto. Aqui, ele traz a clássica jornada de vingança, muito espelhada em “Hamlet”, de William Shakespeare. Na trama da vez, vemos o rei corvo, Aurvandil (Ethan Hawke), pai de Amleth (Oscar Novak), ser assassinado pelo próprio irmão, Fjölnir (Claes Bang). Além de tomar o trono, ele também leva consigo a matriarca, a rainha Gudrún (Nicole Kidman). Há uma passagem de tempo, e reencontramos Amleth, agora adulto, mas ainda jurando vingança.


Para encarnar a versão adulta de Amleth, temos Alexander Skarsgård. Ele incorpora o homem vingativo, construindo uma postura mais curva, que assemelha-se a um lobo, em busca de batalha. A raiva está armazenada em si, e prestes a explodir pra fora do corpo. Nas poucas palavras emitidas, ele deixa claro seu ódio, construído na figura do garoto machucado.


Pra quem conhece a obra base de Shakespeare, o filme não foge do previsível. Ainda sim, a jornada é grandiosa e vale toda a experiência. Agora, com maior orçamento, Eggers consegue posicionar bem, toda a composição que escolhe.


Junto com seu diretor de fotografia, Jarin Blaschke, ele representa, fielmente, as batalhas nórdicas, inserindo elementos fantasiosos, que compõem todo o cenário mitológico necessário, para a coesão da história contada. Soma-se a isso, a trilha sonora, de Robin Carolan e Sebastian Gainsborough, que insere todo o clima sugerido, com o uso de tambores e gritos de guerras, vindos da alma.


No elenco, todos possuem o peso necessário a trama, evocando o discurso proposto. Destaque para Anya Taylor-Joy, que interpreta Olga, uma escrava que cruza a jornada de Amlet, e lhe propõe um outro caminho, em oposição a vingança ansiada pelo protagonista.


Talvez, a única decepção esteja em torno da personagem vivida por Nicole Kidman. Ela é construída de forma, até natural, durante todo o longa, como a mãe sofrida, e ganha uma bela reviravolta, no início do terceiro ato. O que quebra, lindamente, a estrutura prevista. Porém, logo em seguida, o roteiro decide voltar pro convencional, e não permite que o filme mantenha a coragem sugerida.


Ainda assim, o saldo geral é bastante positivo. “O Homem do Norte”, assim, se encerra, como mais um belo exercício de fantasia, executado, lindamente, pelas mãos de Robert Eggers.



Nota: ⭐⭐⭐⭐ (Ótimo)

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